A tentação nossa de cada dia: Constantino e o ouro de tolo.


"E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto;E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e naqueles dias não comeu coisa alguma; e, terminados eles, teve fome. E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão. E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus." - Lucas 4:1-4

As três tentações no deserto não eram apenas tentativas de Satanás para sugestionar Jesus a fazer algo contrário à vontade de Deus. Na superfície das tentações , não há nada abertamente " pecaminoso " sobre elas. Satanás não estava pedindo a Jesus para matar alguém ou cometer adultério . Afinal, se Jesus está com fome, e Ele tem o poder de fazer as pedras em pão , qual é o problema? Jesus recusou a primeira sugestão de satanás, transformar pedras em pães. Mas em outro momento, transformou água em vinho numa festa, e noutro momento, multiplicou miraculosamente pães e peixes para alimentar a multidão faminta. Qual o problema, então? 

A primeira tentação:
No início de seu ministério, Jesus foi tentado a usar o poder para satisfazer suas necessidades pessoais. Matar a sua própria fome, em outras palavras, suas próprias necessidades. Se Jesus fosse  pragmático - se os fins justificassem os meios - então não haveria nada para impedir Jesus de fazer o que Satanás queria. Mas Jesus sabia que a vontade de Deus deve ser feita no caminho de Deus. E ele também sabia que não existem atalhos para realizar a vontade de Deus. A razão pela qual as tentações de Satanás o levaria ao pecado não é exatamente o resultado. Como podemos ver, o problema não eram os meios nem os métodos, mas as motivações  motivações necessárias para atingir esses resultados. 

Um outro exemplo foi Judas, o Traidor. Criticou a mulher que ungiu Jesus porque ela "gastou" um óleo caro pra ungir o Messias, um óleo que aos olhos dele, se fosse vendido, poderia gerar recursos para alimentar muita gente. Considerando a natureza de Judas, não tenho dúvidas de que ele venderia e óleo e de fato, alimentaria muitas pessoas. Sua natureza fria e calculista o faria articular bem o custo-benefício. Ele precisaria provar que gastou bem o dinheiro se quisesse permanecer no cargo de confiança. Mas também não tenho dúvidas que ela usaria parte desse dinheiro em benefício próprio, para satisfazer suas necessidades pessoais. Portanto, suas motivações em fazer o bem são reprováveis diante do Senhor.

E você? Quais são suas motivações em fazer a obra do Senhor? Qual é a fome que você tem?  É a fome de justiça? Ou a fome de aplausos? É a fome de alimentar a multidão ou de alimentar sua ganância? Você quer ajudar os necessitados ou quer ajudar a si mesmo? O padrão de Deus é colocar as necessidades dos outros acima de nós. A prioridade é o próximo, não EU.

Lamentável que hoje muitas igrejas façam "campanhas" para satisfazer as necessidades pessoais de seus membros, quando deveriam ensiná-los que esse foi precisamente o caminho que satanás usou para desviar Jesus dos propósitos de Deus.

A segunda tentação: 
Na segunda tentação , Satanás prometeu dar autoridade sobre as nações para Jesus , se Jesus o adorasse. Um dos objetivos de Jesus era recuperar a autoridade sobre as nações do mundo. E agora estava sendo oferecido a Ele esta mesma autoridade. Qual o problema? O problema é que para Deus, os fins não justificam os meios. Se quisermos fazer algo para Deus, tem que ser do jeito Dele. Deus queria dar autoridade e poder a Jesus, mas ele teria que conquistar isto através da morte e da cruz, e não através de um pacto com o diabo. Esta tentação é também sobre controle. Satanás quer controlar as pessoas. Ele quer controlar o mundo e do universo. Ele quer controlar Deus. Esta tentação foi tinha a finalidade de uma tomada de poder. Ao oferecer a Jesus o poder, Satanás se posicionou para ganhar ainda mais poder. Jesus não se opõe ao poder, mas sabia que ele devia ser adquirida através do sacrifício e serviço, e usado para o benefício e bênção dos outros, não em prol dele mesmo.
Podemos ter autoridade sobre as nações adorando a Deus e podemos ter autoridade sobre as nações adorando o diabo. A sua motivação determina quem você adora.

Lamentável que muita gente opta pelo seu reinado pessoal ao invés de optar pelo caminho de Deus, que quer nos dar autoridade e Sacerdócio Real sobre as nações.

A terceira tentação:
Durante o seu ministério , Jesus realizou muitos milagres aos olhos das pessoas , e um dos motivos era para que eles pudessem reconhecê-Lo como o Messias. Qual é o problema com mais um milagre? Jesus foi tentado a realizar um grande milagre aos olhos dos fiéis no templo , atirando-se do pináculo do templo para que os anjos o resgatassem antes que Ele atingisse o chão. Imagine  a repercussão! Imagine os testemunhos! Que começo de ministério triunfal! A terceira tentação mostra claramente como milagres reais realizados por Deus podem ser usados por homens para corromper os propósitos divinos. Satanás não disse que oredenaria aos anjos, mas disse para Jesus ordenar aos anjos que operassem o milagre. Milagres podem ser vendidos! Milagre não legitima caráter! Milagre não legitima motivação! Neste maravilhoso momento, as Escrituras mostram que capacidade de operar milagres é uma ferramenta divina dada ao homem, mas a responsabilidade do que fazer com ela é pessoal. Jesus poderia ter feito um "show da fé", mas optou por não se desviar do propósito divino operando milagres. 

Com o milagre realizado, Jesus teria reconhecimento. A terceira tentação foi uma oportunidade para ser reconhecido. Foi uma oportunidade para Jesus para fazer o seu nome grande, e receber a devida glória.

Assim, as três tentações eram sobre o individualismo egoísta, poder, controle, riquezas, fama, honra reconhecimento e glória. Estes foram oferecidos por Satanás como um meio para realizar a missão de Jesus. Mas Jesus sabia que estas coisas apenas o afastariam dos propósitos de Deus. 

Você pode pensar que isto não é para você,e que essa história é velha demais, " não vou cair nessa". Mas o apelo à fama, ao poder e ao ego costumam ser muito convincentes. Além disso, a proposta de satanás é para usar você, não para glorificá-lo. Mas a serpente sabe usar seu poder hipnótico. E a história prova quão cegos podemos ficar. O problema é que desconhecemos nossa própria história.

Por muito tempo, os seguidores de Jesus testemunharam fielmente. Mas foi difícil: eles enfrentaram ameaças constantes por parte do governo e das forças armadas. Alguns deles perderam seus empregos, suas famílias, e até mesmo suas vidas. Eram desprezados e ridicularizados, mas viveram fielmente o exemplo de Jesus, e a mensagem sobre Jesus continuou a se espalhar e vidas foram mudadas.

Mas então algo aconteceu. As tentações voltaram À medida que mais e mais pessoas se tornaram seguidores de Jesus, o foco de muitos cristãos começaram a mudar. A ênfase começou a afastar-se de auto-sacrifício, serviço, generosidade, humildade e paz, para se aproximar de poder, influência, proeminência, autoridade, reconhecimento e controle. 

Por motivos puros para proteger e educar os novos crentes, os líderes da igreja começaram a consolidar o poder e controle. Eles criaram uma hierarquia de líderes religiosos que ajudaram a desenvolver regras de moralidade e decidir qual o entendimento das Escrituras estavam corretas. Eles tentaram aumentar a sua influência na sociedade, ganhando mais seguidores e defender a fé cristã contra as pretensões da filosofia e de outras religiões. 

Violência em nome de Cristo:
Uma das maiores mudanças foi quando o imperador romano Constantino se converteu ao Cristianismo após ter derrotado seus inimigos sob o signo da cruz. Como resultado dessa vitória, declarou o cristianismo a religião oficial do Império Romano. Conversões em massa seguido. Milhares de templos pagãos foram transformados em locais de culto cristão. Quase de imediato, o cristianismo tornou-se rico, poderoso e proeminente. Ele também se tornou uma ferramenta do Império, abençoando suas guerras, aprovando suas leis do Império, e instalando seus governantes. Em troca, o Império deu a terra da igreja, dinheiro e os edifícios suntuosos. A igreja ganhou poder. Mas as pessoas que antes confiavam no poder da cruz agora confiavam no poder da espada. A comunidade que seguia os ensinamentos de Jesus e seu amor pelos inimigos, agora ensina sua capacidade de derrotar os inimigos como prova do senhorio de Cristo.

Jesus recusou o individualismo egoísta, poder, controle, riquezas, fama, reconhecimento e glória como um meio de realizar sua missão, mas, nos dias de Costantino, a igreja abraçou estas coisas como um meio para propagar o Evangelho, cumprir a Grande Comissão, e expandir o Reino de Deus na terra. A conversão do imperador Constantino fez cessar a perseguição e trouxe dezenas de milhares de convertidos adicionais. Os Líderes queriam proteger esses novos crentes de heresia ou de outras religiões, também queriam ganhar dinheiro, poder e edifícios e claro, o controle da massa. Além disso, sendo a religião oficial, o cristianismo de Constantino abriu o caminho para a rápida propagação do Evangelho.

E assim começou o que muitos chamam de "Idade de Ouro do cristianismo." Com o dinheiro  eo poder que ele conquistou, ele tinha os recursos para prover suas próprias necessidades.Tornou-se poderoso como a religião oficial do Império, que ganhou autoridade e glória aos olhos do povo. Seu clero tornou-se estudiosos e filósofos, grandes homens de aprendizagem e educação. Edifícios foram construídos e grandes obras públicas foram realizadas. Leis foram escritas, as decisões foram tomadas, e controle foi adquirido. Tudo isso resultou na propagação do cristianismo e, com isso, um governo melhor, melhor educação e maior moralidade.

O que poderia estar errado com tudo isso? Só uma coisa. Em algum lugar ao longo do caminho, as mesmas coisas que Jesus havia rejeitado para realizar Sua missão (auto-confiança, poder, autoridade, glória, riqueza,  reconhecimento , e controle) foram adotadas pela igreja. a Era de ouro do Cristianismo foi preenchida com ouro de tolo. As mesmas coisas que Jesus se recusou, a Igreja aceitava.

Cegueira sempre presente: 
O consenso geral entre os fiéis é que nós somos um generosa organização amorosa, humilde, sacrificial, serviçal, perdoadora, misericordiosa, e amigável. O problema, porém, é que esta imagem da igreja geralmente não é compartilhada por pessoas que estão de fora. Porque eles nos veem como gananciosos, hipócritas, implacáveis, críticos, rigorosos, críticos, egoístas, fundamentalistas? Porque provavelmente somos tudo isso. Olhando para a igreja de Constantino, os erros deles são notórios, mas eles eram incapazes de enxergar um palmo à frente. Oque acha que ocorre conosco?

Será que a tão famosa bancada evangélica já não cedeu desde o início à tentação? Que tal tirarmos os olhos do Senado e da presidência, e assumirmos que isto não passa de sede poder? Que tal assumirmos que isto não passa de sede de controle e desejo de um reino pessoal? Não vejo cruz na bancada evangélica, não vejo cruz nos evangelistas da TV. Não vejo fome e sede de justiça, tampouco vejo amor. Não vejo amor, nem misericórdia, nem bondade, nem paciência, nem longanimidade nem temperança no trato com os homossexuais. Onde está você, Igreja? Se acreditamos nas palavras de Paulo, que diz que "sem amor eu nada seria", temos que rever muitas das nossa atitudes, porque pelos critérios dele, grande parte da igreja está sendo uma pedra de tropeço nos pés de quem realmente calça as sandálias do Evangelho.

Será que a igreja do passado errou? Sim. Estamos errando agora? Provavelmente. O truque é descobrir como e então o que fazer algo a respeito. Onde estamos caindo às tentações e influências do diabo e sua tentativa de torcer e perverter a igreja para longe dos propósitos de Deus? Onde poderíamos estar refletindo um desejo de auto-confiança, riqueza, autoridade, reconhecimento, glória e controle no lugar de refletirmos apenas a glória de Deus?  Nós não sabemos o que os críticos futuro dirão, então o melhor que podemos fazer é ouvir alguns dos críticos de hoje. E então, com a ajuda da Bíblia e do Espírito Santo, tentaremos discernir o que é verdade e como podemos mudar.

Por ora, basta abaixar as armas, pôr em ordem a nossa casa e esperar que Deus, pela Sua misericórdia Divina nos faça cair do cavalo branco onde estamos montados.

Herege, sempre.

Lya Alves
Niterói, 30/set/2013.

Leia a palavra profética que fala sobre os Arcos do Triunfo construídos por Constantino.