Comitiva de Cura - Crônicas missionárias do Ninho na rua. 15:AGOSTO:2015

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A ida

Linha 38, ônibus de Itaipu rumo ao Centro de Niterói. Esse foi nosso transporte de ida hoje, entramos, e percebi que o motorista estava ouvindo uma rádio evangélica.

- Clima bom. - pensei, ao passar pela catraca.

Sentamos atrás de um rapaz e por duas vezes ele se virou pra trás, e me olhou de uma forma muito estranha. Por algum motivo, ao olhar em seus olhos, me lembrei da dona Clotilde procurando seu cachorrinho... "Satanás, é você satanás?". Enfim, com as mãos disfarçadamente estendidas pro moço, comecei a orar em silêncio. Rapidamente vi a figura dele, acorrentada e com cadeias nos pulsos e tornozelos, a visão seguiu com as cadeias nos pulsos se desfazendo, e o rapaz, com uma sincronia espiritual tremenda, começou a girar os braços lentamente, como quem está com os ombros cansados de estar na mesma posição por muito tempo. Isso me animou a interceder mais e pude ver os tornozelos sendo liberados. Foi então que ele se virou...

O sorriso no seu rosto me deixou ver que ele havia voltado ao controle, ele disse algo sobre a canção que tocava no rádio, mas não pude entender, infelizmente não consegui perceber se ele era portador de alguma deficiência, ou se estava alcoolizado, mas apertamos as mão seguimos falando sobre sua família e a bondade de Deus. Assim começou nosso dia.

Panfletos de terno

Chegamos na praça, prendemos os banners, enquanto eu dava o último nó, um casal se aproximou, o marido estava se sentindo mal, tonto e orei com ele, pra glória de Deus ele ficou bem, e conversamos um tempo enquanto Lya orava com sua esposa.

Nossa proposta na comitiva é estar disponível pra quem quiser Jesus, enquanto estamos lá, fazemos nosso culto: louvamos, oramos, lemos a Bíblia... O Espírito Santo traz as pessoas. Durante a leitura o Alex, um dos rapazes que encontramos semana passada, chegou e sentou com a gente no chão. Ouvimos ele falar sobre sua vida na rua e conversamos sobre como Deus pode interferir nessa fase que ele atravessa. Em certo momento entraram na praça três irmãos de alguma igreja pentecostal, um puxava uma caixa de som, um outro falava no microfone e o terceiro abordava e entregava panfletos, os três vestidos em ternos impecáveis. Eles estavam evangelizando. Vendo de longe eu pensei:

- Cara, que legal, mais gente tá ouvindo o Senhor. - mal sabia eu...

Eles pararam perto da gente e o rapaz que abordava veio fazer seu papel, nos entregou o panfleto e começou a me evangelizar. Até aí tudo bem, uma Bíblia aberta no meu colo, e os banners sobre oração e salvação, não querem dizer nada... Sorri pra ele, apertei sua mão, e falei:

- A Paz do Senhor, irmão. Eu também tô fazendo evangelismo. - disse eu, apontando pros banners e todo o resto.
- Amém... - ele resmungou enquanto lia o que estava escrito, e continuou a falar quando terminou a leitura. - Mas Jesus pode te livrar da cocaína! Jesus...
- Filho, eu sou pastor... - interrompi o irmão, enquanto segurava a gargalhada que brotava em meu ser.
- Oi? - disse o evangelista, seus olhos arregalados sugeriam que ele havia acordado de um transe, mas guardei a informação em meu coração.
- É, eu sou pastor e tô evangelizando aqui na praça também. - disse pra ele, que não parecia muito convencido.
- Ah tá... - e se voltando pro Alex, entrou em transe novamente. - Jesus pode te livrar da cocaína, jovem! Jesus...

Barulhento como "o metal que soa", ele terminou o que veio fazer e foi embora. Um conselho aos missionários e evangelistas que estão lendo este texto: seja uma pessoa falando pra outra pessoa; não um panfleto ambulante, com um monte de informação a ser passada. Ouça o que te disserem, se importe com as histórias, se relacione, ou seja, imite a Jesus, é assim que Ele fazia. Se com isso não te reconhecerem de longe como um líder espiritual, e te confundirem com a multidão, fique feliz. Era assim com Jesus também.

Estamos na praça todos os sábados à partir das 10h da manhã, se você quer se juntar a nós pra adorar ao Rei, e estar disponível pra quem tem sede, basta entrar em contato através do email: mpnda@outlook.com
Graça e Paz!
André Alves