Comitiva de Cura - Crônicas missionárias do Ninho na rua. 19:SETEMBRO:2015

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LUTO

A comitiva hoje foi atípica, tivemos a triste notícia de que o Alex, um dos meninos que encontrávamos na praça, foi assassinado. Ficamos na praça como de costume, oramos com quem se aproximou e por quem estava por lá à distância, mas depois que fomos informados, o dia ficou estranho, tudo parecia meio quieto, tudo a minha volta era silêncio, apesar da enxurrada de questionamentos dentro de mim. Não questionamentos do tipo: "Por quê, Pai?", eu sabia o por quê: o Alex acabou na rua por circunstâncias da vida, e se envolveu com quem não devia por escolhas que fez, ou foi obrigado a fazer. Isso matou ele... 

AS PERGUNTAS

As perguntas começaram com: "O QUE EU TÔ FAZENDO AQUI?". Aqui no Ninho, nós temos um projeto, ou melhor, temos o projeto de um projeto, a Fundação Príncipes Perdidos (FPP), que justamente vai encontrar pessoas que estão na rua, desviadas do evangelho, e trazer essas pessoas de volta pro Reino, ressocializa-las, e ajudá-las a ter, de novo, uma vida digna. A FPP ainda não é realidade, pois faltam recursos ao Ninho. 

"O QUE EU TÔ FAZENDO DE ERRADO?" a falta de recursos se dá pela quantidade limitada de membros no Ninho, ontem mesmo eu estava conversando com uma discípula/amiga/filha sobre isso...
-Eu sinto falta de mais gente no Ninho, André?
-Eu também, filha...
Eu não posso te dizer que temos poucas dezenas de membros, pois não chegamos a tanto, ainda estamos nas unidades... 

"SERÁ QUE EU DEVERIA FAZER UM CURSO DE GESTÃO DE IGREJAS?" assim atraio mais pessoas com as coisas que aprender lá. Vejo tantos lugares lotados devido a métodos de crescimento eclesiástico "bem sucedidos"...

"SERÁ QUE EU DEVERIA EXTORQUIR O POVO?" afinal as multidões adoram campanhas de vitória, gostam de ouvir promessas absurdas de enriquecimento, as multidões querem as bênçãos e os milagres. Pensa comigo, uma multidão seguiu Jesus por onde Ele foi, mas boa parte dessa gente toda nunca deve ter chegado perto dEle, a ponto de sequer ter ouvido sua voz; eles não conheciam o Senhor, só estavam seguindo as histórias de bênçãos e milagres que ouviram de um amigo do vizinho da prima da cunhada de um vendedor, que vendeu para um tio de uma criança, que ouviu na escola, que o pai de um coleguinha conhecia um cara, que foi curado por um barbudo da Galileia. As multidões seguem histórias...

"SERÁ QUE EU DEVERIA NEGOCIAR O EVANGELHO?" eu poderia pregar um evangelho diluído, a multidão beberia xarope de groselha e eu a convenceria de que é sangue. 
-Ah, não tem cruz!? Beleza! É isso aí que eu tava procurando.- é o que a multidão me diria...

A TROCA

Foi então que o Espírito Santo começou a trocar essas perguntas, por lembranças e reflexões. Negociar o evangelho não é opção. Aquele que me chamou para ser profeta, não negociava o Reino de Deus para ter mais seguidores, ao contrário, falava as verdades do evangelho a ponto de ser abandonado pela multidão, que o seguia por causa das bênçãos e dos milagres. Se fosse preciso, Jesus abriria mão dos 12, só pra não alargar o caminho do céu...
Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna." João 6:67,68
Me lembrei da conversa de ontem, e do que disse a ela:

-Mas a gente tem poucos, filha, porque fizemos uma escolha. Escolhemos tentar viver o evangelho como ele é, não abrimos mão da cruz. Queremos chegar mais perto de Deus, e isso envolve diminuir diante dEle, tratar o caráter... Quantos já vieram e foram embora?
-É verdade.

Eu tenho orgulho dos filhos e filhas que o Senhor tem nos dado a honra de cuidar e discipular, admiro muito sua coragem diante do Pai. Uma multidão de pessoas me trariam os recursos que preciso para fazer o que preciso, mas, assim como Jesus, eu troco uma multidão que vasculha os bolsos de Deus, por um único discípulo que busque a Sua face.

TENTANDO viver o evangelho,
André Alves.

Alex +29/08/2015