Sobre presbíteros

As Igrejas do Novo Testamento eram pastoreadas por um grupo de homens fiéis e idôneos, que atuavam em harmonia, onde cada um contribuía para o todo à luz de seus dons espirituais e vocações pessoais.

No livro de Atos e nas epístolas, os homens que pastoreavam e supervisionavam as igrejas locais foram freqüentemente chamados de presbíteros (veja Atos 11:30; 14:23; 15:2,4,6,22,23; 16:4; 20:17; 21:18; 1 Timóteo 5:17,19; Tito 1:5; Tiago 5:14; 1 Pedro 5:1; 2 João 1; 3 João 1). 

A pluralidade de líderes possibilita não apenas o acompanhamento mais próximo das diversas atividades, ministérios, e processos da Igreja, como também permite que cada um dos ministros assuma apenas as responsabilidades compatíveis com suas competências.

Pastores, bispos e presbíteros não são três ofícios diferentes, nem graus de hierarquia, mas sim três palavras que descrevem aspectos diferentes do mesmo ofício. No Novo Testamento, as palavras pastor, bispo e presbítero descrevem os mesmos homens (Atos 20:17,28; 1 Pedro 5:1-3; Tito 1:5-7). Eles servem em congregações locais, cuidando do rebanho de Deus. 

As várias palavras identificam os mesmos servos, mas cada palavra tem seu próprio significado. Essas variações de sentido ajudam para mostrar aspectos diferentes do trabalho dos homens que cuidam de uma congregação. 

O plano de Deus é que haja vários presbíteros em cada igreja local (Atos 14:23; Filipenses 1:1). Os homens designados como presbíteros devem estar de acordo com a descrição que Deus fornece nas Escrituras (1 Timóteo 3:1-7; Tito 1:5-9). Os presbíteros cuidam do rebanho de Deus, no meio que estão, exercendo a supervisão dele (1 Pedro 5:1-2). Deve-se ressaltar que os presbíteros não cuidam de rebanhos (plural) de Deus, mas do rebanho (singular) de Deus, no meio que estão. A supervisão deles se limita a uma igreja local em que foram nomeados. 

A palavra epíscopos vem de epi (sobre, supra)+ skopos(cético, olheiro, sentinela, observador).

"Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus,não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância" -Tito 1:7 (onde está traduzido bispo, é episcopos. E o termo  traduzido como não-soberbo é "authades", que pode ser traduzido como arrogante, e vem de hedonismo, ou seja, um presbítero não deve querer realizar seus próprios interesses. Isto é imcompatível com a função pastoral,que é auto-sacrificial).

A palavra presbúteros vem de presbus (comparativo de idosos, mais velho em idade). Quando substantivo, significa um sênior, como um sinedrista israelita ou um presbítero cristão. Pedro sendo apóstolo, se coloca também na posição de presbítero, por ser um dos mais velhos: "Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar" - 1 Pedro 5:1

"Porque já Paulo tinha determinado passar ao largo de Éfeso, para não gastar tempo na Ásia. Apressava-se, pois, para estar, se lhe fosse possível, em Jerusalém no dia de Pentecostes. E de Mileto mandou a Éfeso, a chamar os anciãos da igreja." - Atos 20:16,17 . 

Neste texto de Atos 20, onde está traduzido "anciãos" é "presbutes", que vem de presbíteros. Neste capítulo, Paulo relembra o exemplo que ele deixou como pastor e deixa os deveres dos presbíteros:

"Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue."
Atos 20:28

Sobre a participação de mulheres:
Deus criou homem e mulher à sua imagem e semelhança (Gênesis 1.27) e delegou a ambos a responsabilidade e autoridade para criar filhos e administrar a criação (Gênesis 1.26-28).

As divisões e hierarquias entre sexos e raças não fazem parte do propósito original de Deus, e, portanto, não devem ser toleradas na vida da Igreja, onde todos somos um em Cristo. No corpo de Cristo não há distinção entre judeu e gentio, servo e livre, macho e fêmea. 
Em outras palavras, no corpo de Cristo não há lugar para racismo, classismo e machismo (Gálatas 3.28).

Além disso, o derramamento do Espírito Santo no Pentecoste foi sobre “toda a carne” e inclui “filhos e filhas, servos e servas, jovens e velhos”.(Atos 2.16-21).

As recomendações bíblicas a respeito do silêncio da mulher e as restrições para que mulheres não exerçam autoridade na comunidade cristã (1Coríntios 11.2-16; 1Timóteo 2.9-15) estão condicionadas cultural, social e historicamente, e devem ser interpretadas a partir das afirmações que indicam princípios universais, como por exemplo “nem o homem é independente da mulher, nem a mulher do homem, pois assim como a mulher provém do homem, também o homem é nascido da mulher” (1Coríntios 11.11,12).

Registre-se ainda que a Bíblia não ensina a autoridade do homem sobre a mulher, mas sim a autoridade do marido sobre a esposa, e ainda assim no contexto da submissão mútua (Efésios 5.21-33). 
A autoridade sobre a Igreja não reside no presbítero, mas no Presbitério, de modo que é perfeitamente razoável que mulheres integrem o fórum de autoridade sobre a Igreja, sem qualquer prejuízo de suas relações conjugais e familiares. 
Mulheres que não vivam a sujeição aos maridos estão desqualificadas para o presbiterado, assim como homens que não governam bem suas próprias casas (1Timóteo 3.4,5).

Existe suficiente representatividade de intérpretes bíblicos que defendem a participação de mulheres no Presbitério. Este assunto, portanto, não é questão doutrinária que implique heresia.

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Resumo:
"a. Presbíteros. Dentre os oficiais comuns da igreja, os presbyteroi (presbíteros) ou episkopoi (epíscopos/bispos) são os primeiros, na ordem de importância. O primeiro nome significa simplesmente “anciãos”, ou “mais velhos”, e o último, “supervisores” ou “superintendentes”. O termo presbyteroi é empregado na Escritura para denotar homens idosos, e para designar uma classe de oficiais um tanto parecida com a que exercia certas funções na sinagoga. Como designativo de ofício, aos poucos o nome foi eclipsado e até sobrepujado pelo nome episkopoi. Os dois termos são freqüentemente empregados um pelo outro, At 20.17. 28; 1 Tm 3.1; 4.14; 5.17, 19; Tt 1.5, 7; 1 Pe 5.1, 2, 1 Pe 2:25. Os presbyteroi são mencionados, pela primeira vez em At 11.30, mas é evidente que o ofício já era bem conhecido quando Paulo e Barnabé foram a Jerusalém, e pode ter estado em existência mesmo antes da instituição do diaconato. Pelo menos a expressão hoi neoteroi (“os moços”) em Atos 5 parece indicar uma distinção entre estes e os presbyteroi. Freqüente menção é feita a eles no Livro de Atos, 14.23; 15.6, 22; 16.4; 20.17, 28; 21.18. Provavelmente o ofício presbiteral ou episcopal foi instituído primeiro nas igrejas dos judeus, Tg. 5.14; Hb 13.7, 17, e, então, pouco depois, também os gentios. Vários outros nomes são aplicados a oficiais, a saber, proistemanoi (os que presidem), Rm 12.8; 1 Ts 5.12; kyberneseis (governos), 1 Co 12.28; hegoumenoi (guias), Hb 13.7, 17, 24; epoimenas (pastores), Ef 4.11. Claramente se vê que estes oficiais detinham a superintendência do rebanho que fora entregue aos seus cuidados. Eles tinham que abastecê-lo, governá-lo e protegê-lo, como sendo da própria família de Deus."

- Louis Berkhof, Teologia Sistemática (Campinas, LPC, 1990), p. 586.