Pobres de espírito. Ninho/ICARAÍ 27/JAN/2016

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"E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo: 'Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus; " - Mateus 5:2-3

Continuamos a série de palavras sobre o Sermão da Montanha, onde Jesus estava anunciando solenemente como fórmula da felicidade em Cristo, ou como falei, manual prático da vida cristã. Era um anúncio solene. Mateus usa a expressão "abrindo sua boca", que era uma expressão que significava que o que vinha a seguir era um ensino solene. Em grego esta expressão possui pelo menos dois significados:

  1. “É usada como prefácio de alguma declaração particularmente solene ou importante”.
  2. Também como afirmação verdadeira, ou seja, a pessoa está “abrindo o seu coração e mostrando os conteúdos mais íntimos da sua mente”. 
Isto determina o caráter didático do Sermão do Monte. Não era um ensino qualquer.

Existem elementos que são fundamentais a vida de um cristão. Você não pode retirar certos elementos e achar que tem um cristão ali. Vou te dar um exemplo. A fórmula da água é H2O. Se mudarmos a quantidade de moléculas de hidrogênio ou oxigênio, não temos mais água. Por exemplo, se alterarmos a fórmula para H2O2, temos água oxigenada, e assim, não faz mais sentido chamar aquela substância de "água". Da mesma forma, não podemos alterar certas coisas sem perder o sentido da palavra "cristão". Você pode remover, acrescentar, mudar, mas não terá mais cristianismo porque há coisas que são essenciais.  No sermão da montanha, Jesus fala das coisas essenciais. Hoje vamos ver uma característica essencial que Jesus menciona no sermão da montanha: Ser pobre de espírito. Mas antes, vejamos oque é ser "bem aventurado".

Bem aventurados

A palavra grega para bem-aventurado é makarios “feliz”, “afortunado”. Se originou de sua forma paralela makar (algo como “livre dos cuidados e preocupações de todos os dias”, “condição dos deuses e daqueles que compartilham da existência feliz deles”). Então, ser bem aventurado é ter a condição afortunada de um ser divino.

A Bíblia também fala que "toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação" (Tiago 1:17). As bem aventuranças vem do Senhor. Ser bem aventurado, no que quer que seja, significa ter uma condição divina e receber algo da parte de Deus. Nada nesta terra pode te comprar as bem aventuranças de Deus. Mas você pode ser bem-aventurado se fizer o que Jesus ensina. Jesus quando estava com os discípulos, ensinava palavras de vida eterna. Hoje é a mesma coisa.

A pobreza

Nos “Evangelhos Sinóticos” diferentemente de outras passagens da Bíblia a “pobreza” é compreendida na condição exata da palavra sem nenhum eufemismo. Portanto o “pobre” é aquele que não tem recursos econômicos sobre as privações das necessidades básicas da vida. Não gostamos dessa palavra: "pobre". Pobre aqui  significa: humilde, quebrantado, servo, despretensioso, simples. Alguém como Jesus, por quem você passaria sem perceber. O mundo diz que você tem que ser grande. Todo mundo quer ser grande. Mas Jesus diz que você tem que ser pequeno. É libertador saber que para Deus, você tem que ser pequeno. Tomar o último assento, lavar os pés, ser temeroso diante de qualquer tarefa que ponham diante de você. Quando estivermos na glória, você não vai ter que ficar fazendo pontos no placar de Deus. Lá você não terá que agradar mais ninguém, porque todos estarão lá para agradar apenas a Cristo e do mesmo modo, todos estão lá felizes, plenos e satisfeitos com Cristo. Pense num lugar onde todos estão satisfeitos e não precisam de nada,  são maravilhosos com você, te amam com entranhas de misericórdia e não exigem nada em troca. É o céu, não é? Exatamente.

“Reino dos Céus”

Em Mateus 3.2 João Batista entra em cena e a sua mensagem é: “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus”. Jesus também inicia o seu ministério com a mesma expressão: “Desde então, começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus” (Mateus 4.17). Mas afinal, o que é o Reino? O reino ou o domínio de Javé sobre Israel começou quando Abrão aceitou o chamado divino e se mudou para Canaã, prometendo então a Abrão que faria dele uma grande nação, a partir dali. Javé “seria o rei de Israel por direito de eleição e criação”. 
Para muitos estudiosos, o Reino de Deus no Novo Testamento é tanto uma realidade presente como uma atividade futura, sobre este assunto George Eldon Ladd (2003) diz que “as interpretações a respeito do reino de Deus assumem uma variedade de formas, umas distintas das outras atingindo quase uma variedade infinita em detalhes” e assim ele mesmo declara que “o Reino de Deus é o domínio real de Deus, que tem dois momentos:
-  o cumprimento das promessas do Antigo Testamento na missão histórica de Jesus; 
- a consumação no final dos tempos, inaugurando o século futuro.



Os pobres de espírito

Na ótica de Mateus o conceito de pobres de espírito tem sentido puramente religioso. Segundo essa concepção, "ho ptokhos" são "os humildes", "os pobres" perante Deus, que diante do Rei se colocam como mendigos, de mãos vazias, conscientes de sua pobreza espiritual.

Mas se Mateus pensa na opressão interna, Lucas pensa em pobres no sentido de “opressão externa”, como o texto demonstra: "Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos." - Lucas 6:20,21

Assim, seja no olhar de Mateus ou de Lucas, o “pobre de espírito” é aquele que sofre opressão, mas depende completamente de Deus, não existindo autogoverno para ele, mas sim uma disposição para a obediência, para a submissão a Deus e a sua palavra. Sendo assim, não importa se a opressão que você sofre é interna ou externa, se você é financeiramente rico ou pobre, estar quebrantado e submisso diante de Deus é característica essencial de um cidadão do Reino.

Enquanto o mundo prega uma mensagem que infla o ego e coloca o homem no centro de tudo Jesus afirma o contrário, pois ao que reconhece a sua miserável condição de pecador é a estes que pertence o “Reino”, e ainda Jesus chama estes de “felizes”, uma vez que não se vangloriam da sua posição diante de Deus. 

O Reino dos céus não é um lugar, mas representa governo e soberania de Deus pleno sobre todas as coisas, onde Jesus é o rei e vai reinar com seus escolhidos. Os crentes entram no reino espiritual de Cristo quando são nascidos de novo (Col 1:13). Este é o reino envolvido por todos os que se submetem à autoridade de Deus.

O Reino dos céus é um governo celeste, não é um reino físico, é espiritual, mas afeta o material. Não é um reino escatológico, apenas, porque você, entrando na dimensão espiritual, então pode acessar as coisas espirituais agora. As bem aventuranças não são apenas para o futuro, são para você agora. O reino dos céus não é apenas para o futuro, é para você agora. Não é para o resto do mundo porque o resto do mundo não está em Cristo. As pessoas amam falar "eu sou filho de Deus", mas falam isso levianamente, nunca se comportaram como filhos e nunca souberam a vontade do Pai para suas vidas.
Nós hoje não estamos construindo o reino de Deus. Estamos arrebatando almas para fora do fogo vindouro, antes que o dia da salvação termine (1Cor 9:19; 10:33; 2Cor 5:11, 18-21; 6:2; Judas 23). Hoje, “... o mundo está no maligno.” (1João 5:19) e o diabo é seu deus (2 Cor 4:4). Os apóstolos e profetas nas igrejas antigas (como descrito no livro de Atos e nas Epístolas) não sacrificaram suas vidas para cumprir grandiosos projetos de justiça social; nem grandes espetáculos culturais. Eles não procuraram atividades artificiais; eles pregaram o evangelho e brilharam como luzes no mundo de trevas através de suas vidas santas. Esta é a Grande Comissão de Cristo, que enfatiza a pregação do evangelho (Mt 28:18-20; Marcos 16:15; Lucas 24:46-48; Atos 1:8).

O MPNDA é um ministério que atua com arte e ação social como ferramentas para evangelismo. Mas nunca podemos esquecer que a grande comissão é pregar a palavra. Na tarefa de comunicar o evangelho, podemos usar ferramentas como a arte, a ação social, a filosofia ou qualquer outra ferramenta que Deus nos der. Desde que nunca esqueçamos que elas são ferramentas e não a missão em si.

Que nós possamos ser humildes e quebrantados diante de Deus, e entender que as tribulações deste tempo presente em nada se compararam com a glória futura. E que sejamos valentes para arrebatar as almas para fora do inferno.

(Esboço do sermão pregado em 27/01/2016)
(Veja a primeira palavra da série sobre o sermão da montanha clicando aqui)
(Veja a terceira palavra da série sobre o sermão da montanha clicando aqui)
Em Cristo,
Lya Alves