Babilônia, a prostituta sagrada - Apresentação


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Apresentação









N
a etimologia da palavra prostituição, vemos que a palavra vem do latim, prostituere (prostituir-se ) e é derivada do verbo hístanai (fazer ficar em pé ) . Hístanai gerou várias outras palavras como Statós (aquele que fica em pé, que fica ereto ) , status (ordem que alguém ocupa na hierarquia social ) e etc. Em Roma, as prostitutas “ficavam" (stare ) “em frente" (pro) dos possíveis clientes, fazendo uma exibição do material oferecido. Daí prostituere, "prostituir-se”. Na raiz da palavra está o conceito de exibição, de estar numa vitrine.
            Porém, quando a Bíblia menciona "a grande prostituta" (apocalipse 17: 1 ) as palavras em grego são: "pornhV" (porné: (prostituta/ idólatra (fig. ) / palavra derivada de pornos) "megalhV" (megalos: mega/ grande/poderosa). Oque isto nos diz? Que quando João escrevia sobre "a grande prostituta" estamos lendo sobre uma Mega Igreja idólatra, vendida e exibicionista. Mas antes que você comece pensando numa denominação em especial, lembre que estamos falando de algo maior. Nos dias de João, a grande cidade é Babilônia (14: 8; 16: 19; 17: 5 ) ; é a cidade mundana que se colocou contra Deus. Ela é Roma, a cidade que dominava sobre os reis da terra na época de João. Nos nossos dias temos um sistema. Neste livro não vamos tratar de escatologia, mas de como este sistema está presente em nossos dias e de como reconhecê-lo.
            Um sistema é um conjunto de elementos interconectados, que forma um todo organizado. Todo sistema possui um objetivo geral a ser atingido. Todo sistema precisa de uma boa sinergia (ou a perfeita integração dos seus elementos ) para funcionar. Sem sinergia, há pane, falha ou queda no sistema. Esta regra serve para sistemas biológicos, físicos, jurídicos, religiosos, financeiros, uma empresa, um ser vivo, uma igreja, etc.
             Donella Meadows, cientista, propôs doze pontos de alavancagem num sistema. Meadows, que trabalhara no campo de analise de sistemas, propôs uma escala de locais onde intervir em um sistema. Ela começou com a observação de que existem alavancas, ou locais dentro de um sistema onde uma "pequena mudança em uma coisa podem produzir grandes mudanças em tudo". Neste livro estudaremos o sistema babilônico atuante em nossos dias. Não há possibilidade de "consertar" a Babilônia, nem de destruí-la. Ela já foi julgada, e a sentença é que ela será destruída pelo anticristo. Mas a Bíblia nos diz para sairmos dela, e esse é um grande problema, já que estamos todos inseridos no sistema. Para isso, precisamos saber oque é o sistema babilônico. Essa é a proposta do livro. Você é a pequena mudança, o pouco fermento que leveda a massa. Você não tem a tarefa de mudar a Babilônia, mas de mudar a percepção dos que estão cegos lá dentro.
            Quando um sistema é escravista, precisa alienar pessoas para que continue havendo sinergia e bom funcionamento, as pessoas precisam "dormir" intelectualmente. Para alienar pessoas, é necessária uma ideologia, um instrumento de dominação que age por meio de persuasão, oferecendo uma visão de mundo apropriada ao sistema, encobrindo oque precisa ser encoberto e mascarando e recriando a realidade para seus próprios fins.
            Já faz tempo que as igrejas conheceram a "teologia do ungido", aquela teologia de líderes caídos onde não se pode dizer nada contra eles ou questioná-los, onde não se pode falar ou sequer pensar nada contra a elite eclesiástica, sob pena de maldição gospel. O texto bíblico é distorcido e é "apagada" propositalmente a parte que diz respeito aos profetas. Porque profetas contestam autoridades. Não é de admirar que o sistema eclesiástico rejeite ministérios proféticos que ferem o capitel e estremecem os umbrais.
            Se o leitor é do tipo que crê que o ministério profético acabou, este livro não é para você. Cremos que o ministério profético continua ativo. E profetas sempre se preocuparam com justiça social porque desejavam ardentemente a paz. Jesus, enquanto profeta, encarnava a Justiça de Deus e seu desejo era que o Reino de Deus se manifestasse na Terra como é no céu. Jesus partiu, e foi glorificado, deixando a Igreja com a missão de anunciar as boas novas do evangelho. A igreja tem realizado esta tarefa a trancos e barrancos, mas e quanto à manifestar o Reino?
            Um dos problemas de manifestar o Reino é que isto significa manifestar a soberania de Deus e as bases do Reino, que são justiça e retidão.
            "A retidão e a justiça são os alicerces do teu trono; o amor e a fidelidade vão à tua frente". Salmos 89: 14
            Na justiça de Deus há equidade. Não há gregos, romanos, servos, senhores, Deus não faz acepção de pessoas, ou seja, não há classes sociais, nem elites em Cristo porque Nele todos somos um.
            Mas o sistema religioso não pensa assim. Se não há classes, por que há uma elite sacerdotal? Uma elite de ministros? E a divisão da igreja em clero e leigos? Porque uns podem ministrar a unção, enquanto outros precisam pagar por ela? Se o critério de Deus é "de graça recebei e de graça dai", porque precisamos pagar para ter um encontro com Deus?
            "O Espírito e a noiva dizem: 'Vem! ' E todo aquele que ouvir diga: 'Vem! ' Quem tiver sede, venha; e quem quiser, beba de graça da água da vida." - Apocalipse 22: 17
            No versículo acima onde fica o "você precisa pagar"? Basta ter sede.
            O objetivo deste livro é denunciar o comércio e a prostituição da fé, coisa que vem sendo feita desde sempre, mas vamos focar no período final da década de 70, fortalecendo-se no início de 80, quando começou esta movimentação de prostituição na Igreja, de idolatria consensual, de acepção de pessoas, de santidade maquiada, de camarotização do evangelho, de exibicionismo, de profetas da prosperidade e de ferrolhos nas portas da salvação.

             Espero que assim como João na Ilha de Patmos, você possa encarar a Babilônia como oque ela de fato é: uma prostituta, para que possa um dia reconhecer a noiva, a que desce do céu, a Igreja que não é construída por fundamentos humanos, mas pelos fundamentos de Cristo, e que é o seu destino.

(...)

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